A autora

Rosa Lúcia Benedetti Magalhães, mais conhecida como Rosa Magalhães (nascida no Rio de Janeiro em 8 de janeiro de 1947), foi uma professora, artista plástica, figurinista, cenógrafa e lendária carnavalesca brasileira. É a maior detentora de títulos na era Sambódromo, sendo campeã em 1982 (antes do Sambódromo), 1994, 1995, 1999, 2000, 2001 e 2013.

O trabalho de Rosa Magalhães apresenta um perfil multifacetado e eclético. A qualidade e a pluralidade de suas criações passeiam desde a montagem de espetáculo do cantor lírico José Carreras e show do músico Roger Waters (ex-líder da banda Pink Floyd) até a ópera Carmen. Como artista plástica, participou da 21ª Bienal de São Paulo, em 1991; da quadrienal de Praga, no mesmo ano; da 49ª bienal de Veneza, em 2001, além de três mostras no Museu de Arte do Rio, entre 2016 e 2019. A carnavalesca também encantou audiências mundo afora com a concepção e execução de grandiosos eventos públicos, como a festa de abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e a cerimônia de encerramento das Olimpíadas Rio 2016. Pelo figurino idealizado para o Pan 2007, ela recebeu o prêmio Emmy, um dos mais importantes da televisão mundial. Como carnavalesca, a artista deixou sua marca em onze grandes escolas de samba do Rio de Janeiro e duas de São Paulo, desde 1971 até 2023, quando fez seu último carnaval na Avenida.


Foto de George Magaraia

A seguir, um resumo da vitoriosa história de vida e carreira de Rosa Magalhães.

História

Vida pessoal

Filha do escritor e acadêmico Raimundo Magalhães Júnior, integrante do júri do primeiro desfile das escolas de samba, em 1932, e imortal da Academia Brasileira de Letras, e da autora teatral Lúcia Benedetti.

Formada em Pintura, pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e em Cenografia, pela Escola de Teatro da Uni-Rio, foi também professora de Cenografia e Indumentária na Escola de Belas Artes da UFRJ e da Faculdade de Arquitetura Benett.

Início no carnaval e auge no Império Serrano

Sua participação no carnaval começou com o grupo que ajudou Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues no carnaval de 1971 do Salgueiro, juntamente com Maria Augusta, Lícia Lacerda e Joãosinho Trinta.

Depois desenhou figurinos para a Beija-Flor e trabalhou na Portela onde, em dupla com Lícia Lacerda, criou figurinos e alegorias para enredos desenvolvidos por Hiram Araújo.

Em 1982, Rosa e Lícia assumem pela primeira vez um carnaval, no Império Serrano, onde realizaram o famoso enredo campeão daquele ano "Bumbum Paticumbum Prugurundum".

Em 1984, a dupla é responsável pelo carnaval da Imperatriz Leopoldinense. Apesar da grande dificuldade financeira por que passava, a escola consegue se classificar em quatro lugar, empatada com o poderoso Salgueiro que festejava a volta de Arlindo Rodrigues. Por seu trabalho naquele ano, as duas receberiam o Estandarte de Ouro de personalidade. Nos anos de 1985 até 1987, ambas iriam fazer parte da comissão de carnaval da recém fundada Tradição, assinando desfiles juntamente com outros grandes nomes como Viriato Ferreira e Maria Augusta. Em 1987, ainda juntas, Rosa e Lícia assumem a Estácio de Sá que obtém grande sucesso com seu enredo "Tititi do sapoti".

O ano de 1988 marca o primeiro carnaval exclusivo de Rosa Magalhães, ainda na Estácio, com o enredo "O boi da bode". No ano seguinte, continuando na escola, a carnavalesca apresenta outro enredo de sucesso: "Um, dois, feijão com arroz". De volta ao Salgueiro, dessa vez como carnavalesca, conquista o terceiro lugar (1990) e o vice-campeonato (1991).

Anos de glórias na Imperatriz e saída conturbada

De 1992 a 2009 assumiu o carnaval da Imperatriz Leopoldinense onde ajudaria a escola a conquistar cinco de seus oito campeonatos, incluindo o primeiro tricampeonato da Era Sambódromo (1999, 2000 e 2001). Na Imperatriz Rosa realizaria carnavais inesquecíveis como "Marquês que é marquês do saçarico é freguês" (vice-campeã, 1993), "Catarina de Médicis na corte dos Tupinambôs e Tabajeres" (campeã, 1994), "Mais vale um jegue que me carregue que um camelo que me derrube, lá no Ceará" (bi-campeã, 1995), "Leopoldina, Imperatriz do Brasil" (vice-campeã, 1996), "Quem descobriu o Brasil, foi seu Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do carnaval" (campeã, 2000) e "João e Marias" (6º lugar, 2008) entre tantos outros.

Mantendo escola na Elite e retorno às conquistas

No ano de 2010 assumiu o carnaval da União da Ilha com a intenção de mantê-la no Grupo Especial, o que aconteceu, tendo saído da escola poucas semanas após do carnaval. Para 2011, assume o carnaval da Vila Isabel.

Em 2013, Rosa conquista o campeonato do Grupo Especial com a Vila Isabel, que apresentou o enredo "A Vila canta o Brasil celeiro do mundo - água no feijão que chegou mais um...". Depois de todas as comemorações do título e até noticias de que teria renovado seu contrato com a azul e branca de Noel, Rosa teve uma saída conturbada da escola, inclusive com boatos de dividas por partes da escola para com a carnavalesca.

Após a conquista do título na Vila Isabel em 2013, Rosa foi especulada na São Clemente, na Portela, e até na Mocidade. Mas em grande sigilo a Mangueira, por meio de seu presidente eleito, Chiquinho da Mangueira, confirmou Rosa como carnavalesca da escola.

Além de atuar na Mangueira, Rosa foi confirmada como carnavalesca da escola de Samba paulistana Dragões da Real para elaborar o desfile de 2014. E ainda em setembro de 2013 foi convidada para desenvolver, junto a uma comissão, o enredo da Unidos de Lucas, sobre sua mãe, Lúcia Benedetti. Por uma incompatibilidade de agendas, designou seu assistente Mauro Leite para a elaboração do projeto alegórico da vermelho e amarelo da Zona Norte, ainda que sob sua supervisão.

Após não lograr êxito nas escolas em que trabalhou em 2014, Rosa decidiu afastar-se de ambas e pensou, até mesmo, na aposentadoria. Por fim, acertou com a São Clemente com o objetivo de afastar a sina de "iô-iô", levar a escola ao desfile das campeãs e torná-la de fato uma grande escola do carnaval carioca. O objetivo de Rosa foi alcançado com êxito em seu primeiro desfile pela amarela e preta da Zona Sul, tendo em vista que segundo a critica especializada e o público em geral o desfile de 2015 foi o melhor da escola em toda sua história e um dos melhores do carnaval, tendo inclusive sido premiado com o Estandarte de Ouro de Melhor Enredo e o premio de 'Melhor Escola' pelo Portal SRZD. Ao final da apuração, a escola obteve a oitava colocação, ainda que para muitos merecesse uma vaga no sábado das campeãs.

Para 2016, de contrato renovado com a São Clemente, Rosa aposta em um enredo critico e irreverente chamado de "Mais de Mil Palhaços No Salão", levando a escola ao 9º lugar.

Para 2017, renovou com a São Clemente e fez um carnaval intitulado "Onisuáquimalipanse" sobre a história de corrupção que levou à construção do Palácio de Versailles. O título do enredo foi uma brincadeira com a expressão "Honit sois qui mal y pense", traduzida livremente como "Envergonhe-se quem pensar mal disso".

Para o carnaval de 2018, Rosa foi contratada pela Portela, aonde desenvolveu o enredo "De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá", para contar a história de judeus e europeus que se estabeleceram na cidade do Recife (PE) holandês no século XVII e que, anos depois, foram expulsos pelos portugueses, ajudaram a fundar a cidade de Nova York.

Em 2019, ainda na Portela, coloca na avenida um enredo sobre Clara Nunes e o bairro de Madureira intitulado: "Na Madureira Moderníssima, hei sempre de ouvir cantar um sabiá". A escola de Oswaldo Cruz e Madureira fez um belo desfile, ficando no 4° lugar. No dia 12 de Março, no entanto, a Portela anuncia o desligamento da carnavalesca, com elogios e gratidão de ambas as partes.

No carnaval de 2020, comemorou os 50 anos de sua trajetória no carnaval. Nesse mesmo ano, ela retornou ao Estácio de Sá, desenvolvendo um enredo que falava sobre Pedras. Infelizmente, a escola foi rebaixada. Esse foi o primeiro rebaixamento da carreira de Rosa.

Em 2021, retornou à Imperatriz Leopoldinense após 11 anos. Pela Rainha de Ramos foram cinco títulos: 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001. No carnaval de 2022, ela desenvolveu um enredo sobre Arlindo Rodrigues, histórico carnavalesco com passagens marcantes pelo Salgueiro, pela Imperatriz e pela Mocidade.

Para o carnaval de 2023, Rosa foi anunciada como carnavalesca do Paraíso do Tuiuti, ao lado de João Vitor Araújo. Este foi o último carnaval desenvolvido por Rosa Magalhães

Outros "carnavais"
Jogos Olímpicos Rio 2016

Rosa era uma artista de foi responsável pela Cerimônia de Encerramento das Olimpíadas de 2016, disputada no Rio de Janeiro. O evento celebrou a cultura popular brasileira: samba, forró e frevo.


Abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007, que foi idealizado pela carnavalesca e onde levou o Prêmio Emmy, por esta cerimônia.
Por Ricardo Stuckert/PR - Agência Brasil, CC BY 3.0 br, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2408950
Doutora Honoris Causa

Em março de 2022, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) concedeu a Rosa Magalhães o título de Doutora Honoris Causa. A honraria, criada em 1965, é a mais alta concedida pela instituição a personalidades de destaque brasileiras e estrangeiras por suas contribuições à cultura, à educação ou à humanidade.

Ex-aluna do curso de Letras da UERJ – na época Universidade do Estado da Guanabara (UEG), Rosa Magalhães agradeceu a homenagem. “Estou muito feliz e honrada com essa condecoração de uma instituição tão respeitada no meio acadêmico. Venho aqui com muito orgulho agradecer a todos os professores da Uerj, desde os que me receberam ainda aluna na licenciatura até os que me concederam tamanha dignidade”. No evento, ela apresentou a aula magna “Não há fronteiras entre o popular e o erudito quando se trata de festejar”.


Rosa Magalhães faleceu no dia 25 de julho de 2024, vítima de um infarto fulminante, mas seu nome continua sendo citado como referência tanto por carnavalescos consagrados como pela nova geração. Após sua morte, algumas homenagens foram anunciadas: a Imperatriz Leopoldinense divulgou que seu barracão na Cidade do Samba passou a ter o nome de Rosa Magalhães. E a carnavalesca será enredo pela primeira vez, sendo homenageada pelo Salgueiro no Carnaval de 2026, com o título: “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”.